NEURITE VESTIBULAR

Neste post, explicarei os detalhes da neurite vestibular, que é a segunda causa mais comum de tontura de início súbito e que leva o paciente ao pronto-socorro (só não é mais comum que a VPPB, descrita neste post).

Se preferir ver um resumo com perguntas e respostas, clique aqui.

SINTOMAS DA NEURITE VESTIBULAR

A neurite ou neuronite vestibular caracteriza-se por episódio único de início súbito e intenso de vertigem (tontura com sensação de rotação), além de náuseas e vômitos intensos e incapacitantes, que costumam levar o paciente ao pronto-socorro. Qualquer movimento da cabeça agrava o quadro e, por isso, o paciente prefere ficar deitado imóvel. Essa tontura dura dias, e via de regra não tem sintoma auditivo (perda de audição nem zumbido) nem neurológico (alteração de força ou capacidade de mexer braços e pernas, alterações faciais, perda de consciência, etc).

Esta condição é a segunda causa mais comum de doença vestibular periférica ou labirintopatia, só perdendo para VPPB (que há foi abordada em outro post). Esses quadros são chamados popularmente de labirintite, mas esse termo na verdade denomina outra condição, também súbita e intensa, mais grave, com perda auditiva importante e em geral irreversível e de causa bacteriana.

Figura1- Nervo vestibular inflamado. Extraído de https://vencendoavertigem.com/o-que-e-neurite-vestibular/

CAUSA DE NEURITE VESTIBULAR

A causa não está bem estabelecida, mas costuma-se relacioná-la com infecções virais no nervo vestibular, particularmente pelo herpes simples. Muitas vezes os sintomas são precedidos de  algum episódio de infecção de via respiratória alta (resfriado, gripe, sinusite, amigdalite, otite) recente. O vírus provoca inflamação do nervo vestibular e, com isso,  perda das função deste nervo (equilíbrio) deste lado.

DIAGNÓSTICO DE NEURITE VESTIBULAR

 O diagnóstico é basicamente clínico, através da história e de  testes que o médico otorrinolaringologista realiza durante a  consulta a procura de sinais de falência vestibular unilateral, que são:  nistagmo (movimento típico do olho, que costuma ser horizontal e em direção ao lado saudável); marcha do paciente (desviada em direção ao lado afetado); e  teste de impulso da cabeça (ilustrado abaixo), que está positivo no lado afetado.

Figura 1- Teste de impulso cefálico (extraído de https://www.mdsaude.com/otorrinolaringologia/labirintite/)

Exames complementares podem ser necessários nos casos de dúvida diagnóstica, em especial RM crânio, para afastar AVC ou isquemia do sistema nervoso central (SNC).Como os sintomas são súbitos, é importante que médico exclua causas centrais, principalmente AVC (derrame cerebral).  Outros exames que podem ser solicitados são: audiometria (para investigar perda auditiva), v-HIT (exame semelhante ao teste do impulso cefálico, mas mais preciso e bem documentado, demonstra o lado  acometido), VEMP (que diagnostica o nervo acometido), vectoeletronistagmografia (documenta a falência vestibular unilateral).

TRATAMENTO DE NEURITE VESTIBULAR

O quadro é autolimitado e os sintomas cessam completamente em dias a semanas. A maioria dos pacientes retorna à mobilidade em uma a duas semanas e fica com sintomas residuais (leves, apenas em giros rápidos da cabeça em direção ao lado afetado) por 2 a 3 meses.  O tratamento, portanto, é sintomático, com supressores vestibulares potentes e de início rápido, como flunarizina, cinarizina, meclizina, dimenidrinato e outros. Medicações para suprimir o vômito também podem ser necessárias (tais como ondansetrona, metoclopramida, bromoprida, domperidona etc). Contudo, essas medicações são usados por poucos dias, já que atrapalham o processo de compensação central, que é o mecanismo central de recuperação dos sintomas. Através das vias vestibulares centrais (cérebro, cerebelo, ponte, núcleos vestibulares) há aumento da atividade labiríntica do lado lesado e inibição da atividade labiríntica do lado não acometido, levando a um novo estado de equilíbrio. Corticóides (como prednisona, dexametasona, hidrocortisona, prednisolona dentre outros) também podem ser usados pois parecem abreviar a duração e diminuir a intensidade do quadro. Deambulação precoce e exercícios de reabilitação vestibular também podem ser utilizados, pois aceleram a melhora dos sintomas, principalmente nos quadro mais prolongados e intensos, idade avançada , doenças subjacentes do SNC e sintomas residuais.

  1. O que é neuronite vestibular?

    A neurite ou neuronite vestibular caracteriza-se por episódio único de início súbito e intenso de vertigem (tontura com sensação de rotação), além de náuseas e vômitos intensos e incapacitantes, que costumam levar o paciente ao pronto-socorro. Qualquer movimento da cabeça agrava o quadro e, por isso, o paciente prefere ficar deitado imóvel. Essa tontura dura dias, e via de regra não tem sintoma auditivo (perda de audição nem zumbido) nem neurológico (alteração de força ou capacidade de mexer braços e pernas, alterações faciais, perda de consciência, etc).

  2. Qual é a causa da neurite vestibular?

    A causa não está bem estabelecida, mas costuma-se relacioná-la com infecções virais no nervo vestibular, particularmente pelo herpes simples.O vírus provoca inflamação do nervo vestibular e, com isso,  perda da função deste nervo (equilíbrio) deste lado.

  3. Como é feito o  diagnóstico da neurite vestibular?

    O diagnóstico é basicamente clínico, através da história e de  testes que o médico otorrinolaringologista realiza durante a  consulta, que são:  nistagmo (movimento típico do olho, que costuma ser horizontal e em direção ao lado saudável); marcha do paciente (desviada em direção ao lado afetado); e  teste de impulso da cabeça , que está positivo no lado afetado. Exames complementares podem ser necessários nos casos de dúvida diagnóstica, em especial RM crânio, para afastar AVC ou isquemia do sistema nervoso central (SNC).  Outros exames que podem ser solicitados são: audiometria (para investigar perda auditiva), v-HIT (exame semelhante ao teste do impulso cefálico, mas mais preciso e bem documentado, demonstra o lado  acometido), VEMP (que diagnostica o nervo acometido), vectoeletronistagmografia (documenta a falência vestibular unilateral).

  4. Quanto tempo dura a neurite vestibular?

    O quadro é autolimitado e os sintomas cessam completamente em dias a semanas. A maioria dos pacientes retorna à mobilidade em uma a duas semanas e fica com sintomas residuais (leves, apenas em giros rápidos da cabeça em direção ao lado afetado) por 2 a 3 meses. 

  5. Qual é o tratamento da neurite vestibular?

    O tratamento, é sintomático, com supressores vestibulares potentes e de início rápido, como flunarizina, cinarizina, meclizina, dimenidrinato e outros. Medicações para suprimir o vômito também podem ser necessárias (tais como ondansetrona, metoclopramida, bromoprida, domperidona etc). Porém, essas medicações são usados por poucos dias, já que atrapalham o processo de compensação central, que é o mecanismo central de recuperação dos sintomas. Deambulação precoce e exercícios de reabilitação vestibular também podem ser utilizados, pois aceleram a melhora dos sintomas, principalmente nos quadro mais prolongados e intensos, idade avançada , doenças subjacentes do SNC e sintomas residuais.

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