Zumbido somatossensorial

Neste post, abordarei diagnóstico, sintomas e tratamento do zumbido somatossensorial, que é um dos mais comuns atualmente, mas que tem tratamento efetivo e rápido.

Primeiro, vou responder algumas perguntas rápidas. Mas continue lendo depois, vou detalhar o assunto.

  1. O que é zumbido somatossensorial?

    É aquele gerado a partir de contrações musculares da cabeça, pescoço e membros superiores, da estimulação cutânea da face e dedos das mãos e também na palpação de pontos-gatilhos miofasciais, pontos dolorosos, entre outros.

  2. Como se suspeita desse tipo de zumbido?

    O diagnóstico é feito através de pistas na história e do paciente: zumbido desencadeado por trauma craniofacial; manipulação realizada por algum profissional na mandíbula, dentes ou coluna cervical; dores ou tensões musculares frequentes nas regiões da cabeça, pescoço e ombro; posturas inadequadas durante o sono, trabalho, ao sentar ou caminhar; períodos de bruxismo (ranger de dentes) ou apertamento dos dentes, durante o dia ou à noite;  quando movimentos da mandíbula, pescoço e ombro fazem surgir ou modulam temporariamente o tipo ou intensidade do som, ou ainda quando o zumbido melhora após o alongamento desses músculos. 

  3. Quais os sinais encontrados pelo médico?

    No exame físico, o otorrino observa a posição dos ombros, pescoço, cabeça e mandíbula, faz a palpação esses músculos à procura de modulação do zumbido, além de pesquisar pontos de tensão e pontos gatilho (PG), que são áreas hipersensíveis em músculos tensos que provocam dor e/ou zumbido. O médico também pede para que o paciente realize alguns movimentos, como abrir e fechar a boca, movimentar a mandíbula, movimentar a cabeça, inclinar  e rodar a cabeça,  elevar e abaixar os ombros, movimentar os olhos, e observar se haverá modulação do zumbido.

  4. Então não são necessários exames para diagnóstico de zumbido somatossensorial?

    Para o diagnóstico deste tipo de zumbido, não são necessários exames, mas como o zumbido muitas vezes tem várias causas associadas, exames complementares são realizados para pesquisar outros fatores etiológicos. 

  5. E qual é o tratamento do zumbido somatossensorial?

    O tratamento é sempre feito com uma equipe multidisciplinar, em geral com: fonoaudiólogo, fisioterapeuta, ortopedista e odontólogo. O tratamento de escolha é a reabilitação musculoesquelética, que pode  ser feita por agulhamento seco dos pontos gatilhos, miofascioterapia – tipo especial de terapia manual​, osteopatia, quiropraxia, terapia do atlas, RPG, eletroterapia, alongamento, massagem, orientações posturais e exercícios domiciliares.

CONCEITO DE ZUMBIDO SOMATOSSENSORIAL

O zumbido pode ser provocado ou modulado por estímulos do sistema somatossensorial, que é o sistema que permite sensibilidade em todas as partes do corpo, sejam elas de tato, pressão, vibração, posição dos membros, calor, frio ou  dor, as quais  são traduzidas a receptores localizados dentro da pele ou dos músculos e retransmitidas para uma variedade de alvos no sistema nervoso central. O zumbido ocorre a partir de contrações musculares da cabeça, pescoço e membros superiores, da estimulação cutânea da face e dedos das mãos e também na palpação de pontos-gatilhos miofasciais, pontos dolorosos, entre outros. Apesar de o fenômeno da modulação (alteração do tipo, intensidade ou localização do zumbido)  não ser totalmente esclarecido, existem evidências científicas da presença de conexões neurais entre os sistemas somatossensorial e auditivo, cuja ativação pode desempenhar importante papel neste tipo de zumbido.

Figura 1- Exemplo de pontos de geração de  para zumbido

CARACTERÍSTICAS DO ZUMBIDO SOMATOSSENSORIAL

O otorrino suspeita desse tipo de zumbido quando ele é desencadeado por: trauma craniofacial; manipulação realizada por algum profissional na mandíbula, dentes ou coluna cervical; dores ou tensões musculares frequentes nas regiões da cabeça, pescoço e ombro; posturas inadequadas durante o sono, trabalho, ao sentar ou caminhar; períodos de bruxismo (ranger de dentes) ou apertamento dos dentes, durante o dia ou à noite. Também é lembrado quando movimentos da mandíbula, pescoço e ombro fazem surgir ou modulam temporariamente o tipo ou intensidade do som, ou ainda quando o zumbido melhora após o alongamento desses músculos. Isso é comum, por exemplo, em paciente que relata que o zumbido começou após mudança de travesseiro, ou que é mais intenso ao acordar, ou piora no final do dia, após longo período de postura viciosa no  trabalho.

DIAGNÓSTICO DO  ZUMBIDO SOMATOSSENSORIAL

No exame físico, o otorrino observa a posição dos ombros, pescoço, cabeça e mandíbula, faz a palpação esses músculos à procura de modulação do zumbido, além de pesquisar pontos de tensão e pontos gatilho (PG), que são áreas hipersensíveis em músculos tensos que provocam dor e/ou zumbido. O médico também pede para que o paciente realize alguns movimentos, como abrir e fechar a boca, movimentar a mandíbula, movimentar a cabeça, inclinar  e rodar a cabeça,  elevar e abaixar os ombros, movimentar os olhos, e observar se haverá modulação do zumbido.

FIgura 3- pesquisa de pontos gatilho de zumbido. Fonte: Rocha, Carina & Sanchez, Tanit. (2020). Associação entre ponto-gatilho miofasciais e pacientes com zumbido constante capacidade de modulação, localização e correlação de lateralidade.

Para o diagnóstico deste tipo de zumbido, não são necessários exames, mas como o zumbido muitas vezes tem várias causas associadas, exames complementares são realizados para pesquisar outros fatores etiológicos. 

TRATAMENTO DO  ZUMBIDO SOMATOSSENSORIAL

O tratamento é sempre feito com uma equipe multidisciplinar, em geral com: fonoaudiólogo, fisioterapeuta, ortopedista e odontologista. O tratamento de escolha é a reabilitação musculoesquelética, que pode  ser feita por agulhamento seco dos pontos gatilhos, miofascioterapia – tipo especial de terapia manual​, osteopatia, quiropraxia, terapia do atlas, RPG, eletroterapia, alongamento, massagem, orientações posturais e exercícios domiciliares.

Figura 4- Palpação do ponto gatilho (A), identificação da banda tensa (B) e agulhamento (C)
FIgura 5- agulhamento a seco
Figura 6- miofascioterapia

Fonte: texto adaptado do livro Zumbido, de  Ricardo R. FIgueiredo, Andréa A. de Azevedo, editora Revinter, 2013

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