Enxaqueca vestibular- Perguntas e respostas rápidas

Nesse post vou detalhar a enxaqueca ou migrânea vestibular, que é a associação de  enxaqueca com tonturas recorrentes. Falarei dos sintomas mais comuns, do diagnóstico e do tratamento. 

Este é um texto resumido, mas se você quiser um leitura mais rápida, sugiro a leitura do post completo.

  1. O que é enxaqueca ou migrânea?

    É um tipo específico de dor de cabeça,caracterizada por cefaleia unilateral de caráter pulsátil, associada à foto e fonofobia, a náuseas e a vômitos, geralmente com história familiar de enxaqueca. Acomete qualquer idade, inclusive crianças, e a intensidade da dor é moderada ou forte, ou seja, impede ou atrapalha muito as atividades diárias.

  2. O que é enxaqueca/migrânea vestibular? Quais os sintomas mais comuns?

    Enxaqueca vestibular é definida pela associação de cefaléia tipo enxaqueca com episódios de tontura. Normalmente, o paciente sente vertigens ou instabilidade de começo brusco, geralmente acompanhada de náuseas e/ou vômitos, intolerância às mudanças de posição e ao movimento da cabeça e ambientes com muito movimento (corredor de supermercado, ruas lotadas, cinema, tráfego, multidões).Muitos pacientes relatam sensação de orelha tampada, zumbidos e também diminuição da audição durante as crises.

  3. Como é feito o diagnóstico?

    O diagnóstico é clínico, ou seja, baseado nos sintomas do paciente. Hoje já existem critérios diagnósticos, que são:
    A.Pelo menos 5 episódios com sintomas vestibulares de moderada ou acentuada intensidade durando de 5 minutos a 72h
    B.História atual ou pregressa de migrânea com ou sem aural de acordo com os critérios da Sociedade Internacional de Cefaléia
    C.Um ou mais sintomas migranosos em pelo menos 50% dos episódios vestibulares:
    1. dor de cabeça com pelo menos duas das seguintes características: localização unilateral, qualidade pulsátil, intensidade da dor de de moderada a severa,piorada por atividade física.
    2. fotofobia e fonofobia
    3. aura visual
    D.Não é melhor explicada por outra doença vestibular ou diagnóstico da ICHD

    Como se pode ver, não são necessários exames complementares, exceto quando é necessário excluir outra doença.

  4. Qual é o tratamento das crises?

    O tratamento das crises vestibulares é com medicamentos supressores vestibulares, como flunarizina e betaistina,  anti-eméticos (medicações para náuseas e vômitos), como meclizina e dimenidrinato, metoclopramida, ondansetrona, além de analgésicos, como dipirona,  triptanos (sumatriptano, naratriptano), no caso de dor de cabeça associada.  Além das medicações, o repouso em local com baixa luminosidade e silencioso colabora para o alívio da dor.

  5. Como é o tratamento preventivo?

    Primeiro, avaliar e evitar os fatores desencadeantes, que são múltiplos e individuais. Os mais comuns são: privação de sono, estresse, alterações hormonais, álcool, queijos amarelos, jejum prolongado, cheiros e luzes fortes, entre outros. O tratamento profilático com medicamentos é indicado quando o paciente tem 3 ou mais crises de enxaqueca por mês é realizado com betabloqueadores (atenolol, propanolol), antidepressivos (amitriptilina, nortriptilina, fluoxetina, venlafaxina, escitalopram), bloqueador de canal de cálcio (flunarizina), anticonvulsivantes, topiramato ou gabapentina. Uma resposta positiva pode levar 2 a 3 meses para se tornar evidente e pode ser melhor avaliada quando o paciente monitora sua crise num diário combinado para vertigem e enxaqueca, além de alimentação, sono, outros fatores desencadeantes e medicamentos usados. A reabilitação vestibular pode ser utilizada isolada ou combinada com o tratamento farmacológico no s casos de instabilidade ou vertigem desencadeada pelos movimentos.

Dra Kênia Assis Chaves

Médica Otorrinolaringologista

CRMMG 52018

RQE 33072

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